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História

Gérson no Botafogo: a saída do Flamengo, o ponto de ônibus e a ostentação alvinegra para comprar o meia

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Todo botafoguense já conhece a história do dia que o time do Flamengo saiu de campo para não ser humilhado pelo Botafogo, do 6×0 no dia do aniversário deles, da época que o bicho em partidas contra o rival era certo e os jogadores adversários tinham dor de barriga quando enfrentava o alvinegro. Mas hoje vamos contar a história da saída do Gérson do rubro-negro para vir jogar em General Severiano. A trama tem o Garrincha como motivo da saída, a espera do ônibus e Quarentinha como o principal responsável pela vinda do Canhotinha de Ouro para o Glorioso. 

Em 1962, o Flamengo chegou a final do Campeonato Carioca contra o Botafogo, atual campeão estadual. O grande desafio daquela partida era como parar Garrincha. O treinador do rubro-negro, Flávio Costa, já tinha na cabeça qual seria a solução para o grande problema: colocar Joel na ponta esquerda para marcar o atacante alvinegro. O treinador não contava com a rebeldia do atleta, que se recusou a ocupar a posição e foi embora da Gávea. 


Rogério, Gérson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César.

Como solução, o treinador colocou Gérson para ter o difícil trabalho de conter Garrincha. Ali começava a azedar a história do meia no Flamengo. O Botafogo deu um baile no rival e venceu por 3×0 com um show de Garrincha, marcando dois gols. No terceiro gol, assinalado como contra de Vanderlei, Gérson esperava o segundo combate e acabou no chão após o drible do Garrincha. “Fui mais um João do Manoel”, disse o meia. 

Em 1963, o meia foi afastado do elenco após se recusar a jogar na posição de Dida, que estava em processo de renovar com o clube carioca. Segundo Gérson, esse foi um pedido de Dida. Afastado do elenco por se recusar a jogar na ponta esquerda, o Canhotinha de Ouro estava sem ambiente na Gávea. 

Diferente do glamour dos atletas de hoje em dia, todos os dias o meia esperava por um ônibus lotação após os treinos que o levava da Gávea até a Praça XV. Ele ainda pegava a barca até a praça de Araribóia, em Niterói. E foi em uma dessas esperas pela ônibus que o destino do meia acabou sendo General Severiano.

Após ser afastado e sem clima no Flamengo, Gérson aguardava o ônibus no ponto quando avistou Quarentinha do outro lado da rua. O maior artilheiro da história do Botafogo esperava o conserto do seu fusca. Curioso, o meia rubro-negro abordou o atleta alvinegro e perguntou o que ele fazia ali. 

Após alguns minutos de papo, Gérson revelou toda a confusão no Flamengo e a sua insatisfação com o clube. Quarentinha não pensou duas vezes e disse: “Então espera um pouco, Gérson! Vamos a General Severiano falar com o Renato Estelita [diretor do clube]”. O artilheiro já imaginava juntar Didi e Gérson no meio de campo.  O time que foi base da Seleção campeã mundial em 1962 podia ganhar mais um grande reforço.

Segundo o livro “Os dez mais do Botafogo”, de Paulo Marcelo Sampaio, após chegarem em General Severiano, Gérson preferiu não entrar no clube para não pegar mal para ele, já que ainda tinha contrato com o Flamengo.

Cinco minutos depois, Quarentinha volta trazendo Estelita e Gérson explicou a situação para o dirigente. “Vai para casa e espera que eu ligo amanhã de manhã”, disse Estelita, segundo conta o livro de Paulo Marcelo. 

“Com a venda de Amarildo para o Milan, dinheiro não era problema. Com o caixa cheio, Estelita ligou para Fadel Fadel [presidente do Flamengo]. O presidente desconversou, mas o cartola, direto, sacramentou: ‘Já depositamos o dinheiro do passe na federação.’ O passe tinha sido fixado em um milhão e meio de cruzeiros”, contou Paulo Marcelo em seu livro. 

O meia conquistou pelo Botafogo os Campeonatos Carioca de 1967 e 1968 e a Taça Brasil 1968. Jogou ao todo 248 partida e marcou 96 gols. 

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História

Didi: o homem que preferiu o Botafogo ao Real Madrid

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“Acabou a sopa deles. Agora é a nossa vez. Vamos encher a caçapa desses gringos de gols!”, falou Didi com a bola em seus braços, após os suecos abrirem o placar na decisão. A Copa do Mundo de 1958 apresentou um grande time brasileiro para o mundo. A esquadra contava com a dupla Garrincha e Pelé, mas foi Didi que se destacou naquele campeonato. Após a competição, o atleta do Botafogo chamou a atenção de diversos clubes do mundo.

O negro esguio e de cabeça altiva, elegante em seus passos largos, em seus gestos meticulosamente calculados, em sua cadência sábia, como retrata a Revista Trivela. O Príncipe Etíope, como bem definiu Nelson Rodrigues, um daqueles que mais soube poetizar o maestro. A calma inerente nem de longe significava uma fraqueza de espírito. Tinha ideias fortes e, segundo alguns, uma dose de vaidade. O talento do craque o permitia ser assim. Casamento perfeito entre ser e fazer, um fazer que sempre se cumpria no mais alto nível do futebol. A reverência, por uma imponência que não se perdia apenas como aparência.

E foram as ideias fortes que o levou para o maior Real Madrid de todos os tempos. E vamos contar essa história, da sua contração pelo clube espanhol, a desavença com Di Stefano e a volta triunfal para o Botafogo.

O meia deu os seus primeiros passos no Madureira e era conhecido como Dodô. Logo chamou atenção do Fluminense e se transferiu para o clube. Foi lá que o jogador começou escrever a sua história grandiosa. O primeiro feito: ele foi autor do primeiro gol da história do Maracanã. Nada como um atleta como ele para marcar a estreia do maior estádio do mundo.

Mas foi no Botafogo que ele se destacou, ao lado de Nilton Santos e Garrincha. Após gerar atritos no tricolor carioca, o Glorioso se interessou em contratar o atleta, mas o rival pediu uma fortuna nunca antes vista no futebol: 1,85 milhão de cruzeiros. Sabendo do valor do atleta, o Botafogo pagou a multa e trouxe para desfilar em General Severiano.

O mais curioso desse caso é que os dirigentes do Botafogo pagaram o valor em notas pequenas só para sacanear o rival. Os tricolores vararam a noite contando as notas de cinco e dez cruzeiros.

A grande atuação na Copa de 1958, sendo eleito o melhor jogador daquele mundial, despertou o interesse do Real Madrid, Barcelona, Milan e Valencia. O time madrileno não economizou e pagou 80 mil dólares pela contratação do meia, uma fortuna para época. O meia brasileiro jogaria ao lado de Puskas, Gento e Di Stefano.

Mas a passagem do meia brasileiro foi marcada por desafetos e uma passagem curta pela Espanha. Como conta Di Stefano para a Revista dos Esportes, em 1962: “Muito tem se falado e comentado sobre um possível desentendimento que teria existido entre eu e Didi. Não é verdade. Considero o Didi um mestre da pelota. Há muito me acostumei a aplaudir seus passes precioso, suas jogadas cerebrais. Opus-me à sua contratação porque sabia que seu estilo de jogo, lento, medido, calculado, jamais se adaptaria ao ritmo velocíssimo desenvolvido pelo Real, principalmente na vanguarda. Como já fizera em relação ao Puskas, que estava habituado a jogar mais parado, adverti Didi da diferença que existe entre jogar na América do Sul e na Espanha. Didi parece que não entendeu – ou não quis entender-, preferindo declarar que eu o estava sabotando. O fato é que o Didi acabou metendo os pés pelas mãos, perdendo assim uma oportunidade de ouro para ganhar dinheiro no clube que melhor paga a seus profissionais em todo o globo, o Real Madrid”.

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